Tuesday, July 27, 2004

Macapá - O Meio do Mundo

Ontem cheguei de viagem à Macapá, uma cidade pequeninha e pacata no outro extremo do Brasil, se comparado ao lugar de onde vim.

Passei muito calor. Fui dar um curso de administração de sistemas Linux lá para um pessoal que trabalha no governo, foi bem divertido. Desde fundamentos do sistema operacional, até boot remoto, firewall e outras coisas.

Conversei com algumas pessoas sobre a criação do Projeto Software Livre Amapá, pode ser que as coisas comecem a andar por lá. O comitê de um dos candidatos à prefeitura, que inclusive está com mais de 40% das intenções de voto, ficou muito interessado na causa, disse que eles já tinham tido experiência com SL por lá e que seria uma ótima idéia migrar a prefeitura de Macapá para funcionar 100% em Software Livre, o que me deixou bem feliz.

Fui visitar o Marco Zero, que é o lugar onde a Linha do Equador passa (virtualmente). Também tem por lá um estádio de futebol onde cada time joga em um hemisfério da terra, não é incrível? A linha do equador é a linha divisória do campo...hehehe

Ouvi bastante música, tomei bastante chopp e conheci umas pessoas muito legais. Outra coisa muito legal é que lá é a terra do açaí, então palmito é mato e eu comi realmente MUITO palmito. Também come-se muito camarão, que é uma das coisas que tem muito no Rio Amazonas, que banha a cidade e a noite reflete a lua, lindo...lindo...

O que mais me surpreendeu foi sair de São Paulo, que se intitula cidade da pizza e comer uma pizza muito, mas muito gostosa mesmo em Macapá. :)

Agora, de volta a São Paulo, estou em stand by por respostas sobre outras aventuras, e a próxima será a participação no ENECOMP - Encontro Nacional de Estudantes de Computação em Salvador. Parto para lá na quinta a noite, para palestrar sobre a participação feminina na tecnologia e na comunidade Software Livre e também de um debate sobre inclusão digital. Quero aproveitar para apresentar os números sobre a pesquisa sobre as mulheres que participaram do 5º Fórum Internacional Software Livre em Porto Alegre.

Monday, July 5, 2004

A Mudança....

Estou agora começando a digerir a real possibilidade de ter que ficar morando em São Paulo.

Agora há pouco vi um filme que falava de uma mãe que sabia que ia morrer e deu todos os seus filhos para adoção para que não ficassem desamparados.

Isso fez com que eu pensasse na minha família e o quanto eles são importantes para mim, e o quanto eu sou burra em matéria de expor as coisas que eu sinto. Passei 6 meses morando com meus pais e acho que não deixei eles saberem o quanto isso fazia bem a mim e nem o quanto eu sofri tendo passado tanto tempo longe.

Essa decisão de voltar a São Paulo para viver mais uma vez longe da minha família me deixa muito triste, profundamente triste. O mundo perfeito para mim seria um lugar onde eu pudesse trabalhar e viver perto das pessoas que eu amo. Mas parece que esse lugar não existe. É muito difícil ter que admitir uma coisa dessas.

Minha mãe me falou via ICQ (sim, ela usa ICQ) que meu afilhado passa perguntando da didi (essa sou eu no mundo dele) o dia inteiro...quanta saudade eu sinto dele. Quando eu decidi que ia voltar para morar com meus pais em Porto Alegre uma das coisas em que eu pensava muito era que eu não queria ser uma desconhecida para essa criaturinha tão linda no futuro. Acho que pelo menos isso eu consegui.

Fora isso, acho que toda minha estada em Porto Alegre não serviram de muito para estreitar meus laços familiares. Por falha minha, mais uma vez. Ao invés de aproveitar a minha família e me preocupar em passar bons momentos com eles, às vezes parecia que tudo o que eu procurava era um motivo para atrito. Acho que eu não sei conviver com seres humanos normais.

Não sei se minha mãe e meu pai um dia vão ler o meu blog ou saber se ele existe, mas se o fizerem eu gostaria que lessem aqui tudo o que eu quis dizer e não disse...do carinho, da admiração que tenho por eles e o quanto eu sinto muito de não ter deixado que eles soubessem disso.

Não queria que por nenhum segundo eles pensassem que eu estou feliz por me livrar deles, como um dia acho que eu disse. Queria que eles soubessem que eu mal consigo dormir e que eu choro e sofro muito por sentir a falta deles.

Eu amo minha família, e é uma pena que eles não saibam disso...

Sei lá, a vida tem sempre razão...

Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída
Como é por exemplo que dá pra entender
A gente mal nasce e começa a morrer
Depois da chegada vem sempre a partida
Porque não há nada sem separação ?
Sei lá,
Sei lá
Só sei que é preciso paixão
Sei lá,
Sei lá
A vida tem sempre razão.
A gente nem sabe que males se apronta
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe
E o sol que desponta tem que adormecer
De nada adianta ficar-se de fora
A hora do sim é o descuido do não
Sei lá
Só sei que é preciso paixão
Sei lá,
Sei lá