Saturday, April 28, 2007

Rebento

Rebento
subtantivo abstrato
O ato, a criação, o seu momento
Como uma estrela nova e o seu barato
que só Deus sabe, lá no firmamento
Rebento
Tudo o que nasce é Rebento
Tudo que brota, que vinga, que medra
Rebento raro como flor na pedra
rebento farto como trigo ao vento
Outras vezes rebento simplesmente
no presente do indicativo
Como a corrente de um cão furioso,
ou as mãos de um lavrador ativo
às vezes mesmo perigosamente
como acidente em forno radioativo
Às vezes, só porque fico nervosa, rebento
às vezes, somente porque estou viva
Rebento, a reação imediata
a cada sensação de abatimento
Rebento, o coração dizendo: Bata!
a cada bofetão do sofrimento
Rebento, esse trovão dentro da mata
e a imensidão do som nesse momento

Gilberto Gil.

Trip para machistas

Eu fiquei bem decepcionada ao comprar um exemplar da revista TPM no aeroporto de São Paulo, antes de embarcar de volta pra Suíça na semana passada. Acontece que, a revista que antes era feminista, cheia de crítica contra os padrões de belza impostos, machismo na sociedade, consumismo, revistinhas de criar mulheres dona de casa e escravas da moda e coisas do tipo, agora tem páginas e páginas de anúncio de roupas, com modelos posando pra fotos e seus respectivos preços.

Ridículo. É incrível como a busca desesperada por dinheiro em forma de anúncios acaba com uma publicação dessa. O mais engraçado é que a TPM é a versão feminina da Trip. E a Trip, por sua vez, não deixa de publicar uma página a menos de bunda ou par de peitos pra colocar preços de roupa no meio da revista. O que será isso? Enfim, me senti lendo a Capricho. Coitada da Fernanda Torres, personagem super interessante, sendo entrevistada numa ex revista-interessante, atual revista medíocre. Entrevista cheia de perguntas sobre família e filhos...

Faz eu lembrar da atual Presidente do Chile, Michelle Bachelet, sendo perguntada pela imprensa machista: "Como você pretende conciliar a vida de mãe e de Presidente?", e ela responde: "Se eu fosse um homem, você não me perguntaria isso."

Além disso, tem ainda direito à paginas com mais desenhos do que conteúdo, colunas sobre fazer colunas, entrevistas sobre como ser mãe, ser casada, ser tudo o que a sociedade impõe, e ainda foto de modelo semi-anorexa no anúncio da Zoomp. Bleh, que desgosto.

Viva a mediocridade, ao machismo e ao consumismo!

O Limitado Infinito Particular

Acabei de tomar conhecimento que o CD da Marisa Monte, chamado "Infinito Particular", encontra-se na lista dos mais vendidos CDs no Brasil.

Muito pouca gente sabe que a Marisa Monte, que passou direto da lista de cantores favoritos à lista de cantores evitados no meu cardápio de múscias, foi a primeira artista no Brasil a implementar DRMs nos seus CDs. Isso significa que estes CDs não são somente CDs de música como pretendem ser, mas além disso, eles instalam software no seu computador sem sua autorização e espiam você.

Outra coisa é que a Marisa Monte não canta no seu iPod. Eu claramente não defendo o uso dessa pequena máquina de snifar a vida dos outros, por isso eu não uso nem recomendo iPods. Mas o que acontece é que esse software não autorizado que é instalado no seu computador quando tenta rodar seu CD de música proíbe suas músicas de serem copiadas para o seu iPod. Claro que isso é mais uma limitação aos já limitados usuários de software proprietário, como MS Windows. No GNU/Linux, os usuários nem tomam conhecimento que esse tipo de restrição existe. Ainda estamos salvos.

DRMs é Digital Restrictions Management (Gestão de Restrições Digitais). São mecanismos para controle de atividades legais usando seus próprios recursos. A desculpa é aquela de sempre: quem não tem nada a temer, não reclama. Estamos tentando lutar contra o terrorismo.

Enfim...há um tempo atrás eu escrevi um artigo junto com Alexandre Oliva chamado DRM: Defectis Repleta Machina. Esta é uma boa introdução ao assunto.

Fique ligado, o "Infinito Particular" da Marisa Monte é bem limitado, e ela não quer compartilhar ele com você ;)

Tuesday, April 24, 2007

Mais um FISL...

Na última sexta cheguei a Suíça depois de 2 semanas no Brasil. Estive participando, como quase todo mundo que eu conheço, do Fórum Internacional Software Livre. Pelo segundo ano consecutivo, participei pelo Google, e tentei realizar mais uma vez o milagre da multiplicação das Fernandas, sem sucesso.

O evento este ano estava bom. O público parece que mudou, tem muito sangue novo. O que é bom por um lado. Acho que um dos desafios da comunidade é o de conquistar mais pessoas que ainda não conhecem bem Software Livre, mas que estão com ganas de aprender e se envolver. O ponto baixo é que cada vez mais pessoas com quem eu conversei desconhecem a existência de alguns problemas urgentes, que devem ser tratados hoje, agora, pela nossa comunidade.

Um destes problemas é DRM. A FSFLA fez camisetas sobre o tema, e também distribuiu adesivos. Confesso que o nosso logo é complicado de entender a primeira olhada, porque é uma satirização do que o DRM é. Mas 90% das pessoas que passaram pelo stand da FSFLA não sabiam do que se tratava. Então falávamos que era nossa campanha anti-DRM, e ainda assim o povo fazia cara de "que bixo é esse?".

Enfim, eu acredito que a politização do movimento Software Livre não seja má. Eu sou geek, e adoro tecnologia. Eu também tenho a consciência de que, apesar de algumas pessoas escolherem não falar das implicações políticas do que fazemos, é importante que seja oferecida a chance de conhecer o lado político do nosso movimento.


Ótimo trabalho de Alfredo Daniel Rezinovsky, da Argentina (licença: http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.5/deed.es_AR).