Monday, August 10, 2015

Lá vou eu

Hoje marca 2 meses de Londres. Quando as pessoas perguntam se eu estou gostando, eu sempre pauso.

Londres é uma cidade enorme, cheia de coisas maravilhosas para fazer: musicais, comédias, parques, o resto da Europa a um passo.

Mas eu estou empacada. Eu acho que cometi um pequeno erro de cálculo.

Quando eu mudei pra Zurique há 9 anos atrás, eu não conhecia ninguém. Foi apavorante chegar num lugar onde tu não conhecia ninguém, e não sabia falar a língua. Foi um choque. Cultura diferente, trabalho diferente, tudo diferente. Aos poucos eu estabeleci laços, conheci pessoas, criei o meu espaço e comecei a me sentir confortável. Zurique não é um local ruim, é no meio do mundo. E eu conhecia muita gente por lá. Mas estava na hora de mudar de emprego, e isso definitivamente significaria mudar de cidade e país.

Depois de Zurique eu mudei pra Dublin, por 4 meses. Por mais que Dublin fosse estranha, eu já conhecia a cidade, e conhecia pessoas que moravam por lá. Nunca me senti sozinha. Tive pessoas me visitando literalmente o tempo todo que estive por lá: família e amigos. Dublin é um lugar deprê, na minha opinião, mas tendo gente por perto, dava risada: da chuva, das lesmas, da religiosidade exagerada.

Os 4 meses passaram voando e rapidamente me vi desembarcando no Vale do Silício. Lá foi fácil, denovo. Eu conhecia diversas pessoas, o emprego era super ocupado e tinha um universo de coisas para eu desvendar profissionalmente. O tempo passou rápido, as coisas andaram e caíram nos seus devidos lugares. Também recebi visitas, conheci o Mark, fomos morar juntos. Tudo aconteceu assim meio naturalmente. Sem perceber eu tinha novamente uma rede de laços estabelecidos: amigos que mudaram pro Vale, novos amigos, Mark, visitas. Tudo certo.

Agora Londres. Londres tem de tudo. Mas não tem ninguém aqui além do Mark e eu mesma. Londres está sendo difícil.

Meu erro de cálculo? Acho que subestimei a importância que pessoas (amigos e família) sempre tiveram na minha sensação de conforto com um local. Se eu estiver com meus amigos, posso estar no meio do mato e tá tudo certo. Posso estar em Dublin no meio das lesmas, posso estar em Águas Claras no meio do mato.

Estamos desempacotando, arrumando a casa, curtindo essa nova fase. Mas ainda me sinto extremamente perdida. Londres é uma cidade maravilhosa, não tenho dúvidas disso. Mas ainda não estabeleci minhas rotinas, não tenho uma rede de suporte que faça a vida aqui passar de ok para ótima. Pelo menos não ainda.

Me lembro quando mudei pra São Paulo, há milhões de anos atrás, eu ouvia a "Nova Brasil FM" e essa música tocava muito lá. Nos últimos dias, ela voltou a ser atual para mim: Zelia Duncan, Lá vou eu:

"Num apartamento perdido na cidade,
Alguém está tentando acreditar
Que as coisas vão melhorar ultimamente.
A gente não consegue
Ficar indiferente debaixo desse céu

No meu apartamento
Você não sabe o quanto voei,
O quanto me aproximei de lá da Terra
Num apartamento perdido na cidade,
Alguém está tentando acreditar
Que as coisas vão melhorar ultimamente.
No meu apartamento
Você não sabe quanto voei,
O quanto me aproximei de lá da Terra.

As luzes da cidade não chegam as estrelas sem antes me buscar."